O Inimigo de Deus, de Bernard Cornwell

Editora: Record

Páginas: 509

Sinopse: Após a batalha do Lugg e da morte de Gorfyddyd e de Gundleus, Artur tem a sua Britânia unida, podendo se concentrar em expulsar os saxões de sua terra. Enquanto Merlin procura os restantes dos tesouros da Britânia, o poderio do cristianismo cresce cada vez mais, tanto político quanto no número de seguidores, aumentando o conflito entre as religiões.

Reprodução de Artur

 

É muito difícil trabalhar com a imagem de Artur, tantas lendas, tantas versões. As evidências daquele período ainda estão para serem descobertas. Em versões cristãs, Artur chega a ser um bandido rebelde e estuprador, claro que, por ser pagão, é certo que ele seria relatado desta maneira por um cristão da Alta Idade-Média.

Desde o Rei do Inverno, que é o primeiro volume da trilogia de Artur, Cornwell tenta nos mostrar a visão mais realista daquele tempo, ou seja, sem espada fincada na pedra – onde é possível ver a semelhança com o mito de Thor – ou damas saindo da água com espadas mágicas. Mas mesmo assim, somos alertados:

” Não que eu possa fingir que a trilogia do Senhor das Guerras seja de algum modo uma história precisa daqueles anos”

Cornwell alerta que a sua versão, nada mais é do que outra variação. Mas tão bem construída e trabalhada, que faz você querer aceitar que são os relatos exatos dos acontecimentos.

Sabendo de todo o seu realismo, o livro sempre deixa aquele gosto de que algo fantástico e sobrenatural vai acontecer, isso se dá mais por Merlin e sua busca pelos tesouros da Britânia, isso sempre vai te deixar na dúvida sobre sua “mágica”.

O conflito das religiões é muito bem apresentada, como o paganismo tenta se reerguer com a ida dos romanos e como tenta fazer isso com o crescimento do cristianismo. Como cada religião despreza a outra, como os ritos de uma surpreende a outra – sem querer fazer escárnio, mas é difícil ver se seria mais eficaz ferver o crânio de um druída em um caldeirão ou se autoflagelar em grupo ao redor de uma cruz de madeira -.

Um grande e enorme destaque que o livro possuí é seu plot twist. Não se engane, o livro todo em sim é ótimo, tendo uns 90% de total frenesi, mas a partir da página 300, você não vai querer parar de ler, simplesmente não vai.

Outros destaques que dou é o grande apelo emocional quando se trata de Derfel relembrando o seu passado; o conflito apresentado entre os deveres e os quereres de Artur e a história criada da criação dos tesouros da Britânia.

Agora, tenho apenas um ponto negativo e meio para dar, um vai pela edição do livro, algumas frases estão mal montadas e me deparei com erros de ortografia que me desconcentraram da históriapor ter notado o erro. E o meio ponto vai pela resolução do conflito final, que pode ser até relevado, se tratando de uma obra com um Q mais realista, mas como eu disse, o final é um frenesi ENORME!

bio daniel portella