Respondendo rapidamente, sim e não. Mas essas são perguntas que, desde que aquele maluco de barba e óculos achou que seria uma boa ideia fazer um filme de terror onde um tubarão é o vilão e, que seu amigo também estranho fez um filme que se passava muito tempo atrás em uma galáxia muito distante, nós iremos ler e pensar sobre. O temor de que o cinema esteja morrendo graças às grandes produções está sempre em voga.

Hollywood

Porém o cinema não vai morrer. Assim como o teatro não morreu, ou a pintura. Arte é arte. É uma representação criativa daquilo que é, foi e será. Dizer que determinado modo de se fazer arte é mais ou menos impactante na forma como a humanidade olha para ela em si, é tirar de si a responsabilidade. Penso nisso toda vez que um grande “diretor artista” aponta seu dedo acusador na cara dos blockbusters e, os acusam de serem a morte da sétima arte. Spielberg, Ridley Scott, Iñarritu e agora, Jodie Foster, já fizeram isso. A culpa é sempre do outro.

Embora frequentemente, como o leitor pode estar se lembrando agora, esse tipo de acusação seja de fato feita para os “filmes de super-heróis”. Isso se encaixa para toda uma gama de produções cujos custos passam dos US$ 90 milhões e que sejam feitos de forma automatizada. Esses filmes frequentemente miram única e exclusivamente serem o menos ofensivo possível e, assim, alcançar grandes lucros. Mas por trás dele existe um artista que está, ou deveria estar, tentando mostrar sua arte ao mundo.

Cito como exemplo Matt Reeves e seu Planeta dos Macacos: A Guerra. Um filme caro com certeza, o seu maior chamariz reside na alta tecnologia utilizada para a criação dos protagonistas. Essa é uma camada. Um pouco mais profundamente podemos enxergar críticas à atual política externa americana, uma análise da corrupção da psique humana em momentos de desespero, análise de como uma boa ação pode ser distorcida e virar algo terrível… Um blockbuster, várias questões, uma só paixão.

Batman: Cavaleiro das Trevas é muito mais filme de que Cavalo de Guerra, Um Bom Ano, Babel ou qualquer episódio de Black Mirror.

Sim, ano após ano a bilheteria mundial vem ficando cada vez mais concentrada em menos filmes. Isso é um fato. Todo ano mais de um filme vem rompendo a antes inalcançável barreira do bilhão. Mas será mesmo que estes filmes estão tomando para si os expectadores de outrora? Será mesmo que o cara que foi nos anos 90 assistir Se7en ou Forrest Gump desistiu desta vida para assistir Liga da Justiça? Qual foi a última vez que um “filme de arte” conseguiu angariar para si a atenção do grande público? (Dunkirk se encaixa aqui?).

Longe de mim ter a audácia de dizer categoricamente que esses filmes estão tendo menos atenção por serem piores e, os blockbusters atraindo mais público por “serem mais legais”. Também não quero ser injusto e dizer que vivo em um mundo utópico onde um estúdio vá deixar de adaptar aquela saga adorada por milhões de fãs para poder lançar uma obra original cabeça e existencialista, entretanto, historicamente estas obras sempre coexistiram com gêneros mais populares, como os western, filmes bíblicos, musicais, comédias com cachorros fofinhos…

Talvez esteja na hora de Hollywood parar de colocar a culpa de seus insucessos nas outras produções e buscar dentro de si a resposta, de porquê seu filme não foi feito. Quem sabe assim, esses longas saiam do papel e matem de uma vez aquela bobagem de que não existem mais boas ideias na terra dos sonhos…

bio NELSON Nascimento