Consolo

Não era ela digna de respeito
Nem de ter o nome mencionado
Ninguém se orgulhara de seu feito
E ser nada era seu consolo
Ninguém sentiria sua falta no leito

Queria ser digna de amor
Mas admirava seu próprio jeito
Saber seu lugar era seu consolo
Querer ser algo era seu defeito
E até lamentaria pela vida cruel
Mas seu consolo era de doce confeito
Pensava em ser como todos
Mas era fiel a seu próprio conceito

Lhe achavam meio contraditória
Por ser fiel a Deus em sua miséria
Enquanto intelectual na história
Mas não se importava com opiniões
Alguns lhe achavam digna de estória
Mas não era digna nem de consolo
Pairar pelo planeta já lhe era vitória

Era amada por quem não merecia
Ele sem perceber lhe mostrava
Que com ela nada se vencia
E ela não sabia o motivo
Dele gostar de sua convivência
Por causa dele, ela parecia boa
E até de agradável aparência
Ele era seu melhor consolo
Lhe achava digna de paciência
Ele era seu único advogado
A fazia sair impune de audiência
Não era ela digna de talento
Mas ele mostrava a ela reverência

A vida em conjunto era sua dor
E a independência seu consolo
Queria se dizer mocinha
Mas gostava de humilhar o tolo
Gostaria até de se defender
Mas fazia isto com certo dolo

O mundo era seu vilão
O Rock lhe fazia consolada
Consolo por ser quem era
Por ser facilmente trocada
Por não ter nada diferente
Mas não parecer com nada
E apesar de tanto consolo
Viveria sempre amargurada