Uma eminente revolta é descrita e consequentemente, erguida e colocada em ação. Mas, não sem a represaria cruel do Tacão de Ferro, que defende muito bem os interesses da Oligarquia. Vamos nos aprofundar neste excelente livro-debate.


Editora: BoitempoO Tacão de Ferro, de Jack London
Páginas: 272
Ano de publicação original: 1908

Sinopse:

A habilidade estilística de London constrói uma narrativa em tempos múltiplos. O conteúdo do manuscrito é visto pelo editor fictício, que faz sua observações de rodapé apoiado na perspectiva do tempo futuro, como fato histórico. Do ponto de vista da época em que foi publicado, o livro é um exercício de antecipação histórica e um relato profético. Hoje, quase um século após sua publicação original, reconhecemos no livro de Jack London uma profecia que realizou, ao menos em parte, historicamente. Esta edição conta com tradução de Afonso Teixeira Filho, e com prefácio de Anatole France, publicado originalmente na edição francesa de 1932. Apresenta ainda um posfácio de Leon Trotsky, escrito em 16 de outubro de 1937 e publicado originalmente na revista New International de abril de 1945.


Se baseando em um período em que a Revolução Industrial toma o palco e obriga que milhões de pobres tenham lugares nas diversas indústrias virando operários com péssimas condições de trabalho, com um abismo crescente entre as classes trazendo uma irremediável polarização, entre os mais ricos que não sabem nem onde colocar tanto dinheiro e os mais pobres que mal consegue uma refeição por dia. Em meio a este turbilhão surge Ernest Everhard, um revolucionário com excelente instrução que tenta convencer os capitalistas de que aquele modo não funciona e nem funcionará mais.

O problema dos discursos lógicos e sensatos de Ernest eram os seus interlocutores, que eram os tais capitalistas. Assim, como em qualquer lugar e como a maioria das pessoas, independente de religião, etnia, classe social ou adepta a qualquer sistema político-econômico, quando os argumentos se tornam falhos e irrelevantes a saída é a violência para não perder a sua “razão”. E este prenúncio foi anunciado diversas vezes, por meio burocrático ou não.

O livro é narrado por sua esposa, Avis Everhard, que narra em primeira pessoa todas as lutas em que ficou sabendo entre o proletariado que queria se levantar e lutar por seus justos direitos e a oligarquia cada vez mais cruel em defender seus interesses econômicos. Os estopins se tornaram cada vez mais curtos e estrondosos, a crueldade se intensificou de uma maneira tremenda. Lembrando, que a estória se passa no EUA, mas toma como referências tudo que estava acontecendo na Rússia.

É impressionante a forma de narrativa de Jack London, que primeiro nos introduz ao livro em formas de debate, colocando todo o seu ponto de vista através de seu protagonista. Apesar de achar que os argumentos dos capitalistas serem extremamente falhos e facilmente derrotados, mostrando que o autor não quis se aprofundar em ter alguma empatia com os oligarcas para saber as suas posições. E nem mesmo se aprofundando para conhecer melhor a classe média. Mostrando que o foco era mostrar tudo sobre o socialismo e a sua prometida revolução.

Apesar de eu não ser adepto do socialismo, é muito interessante conhecer esta abordagem sobre o tema e saber realmente quais são as propostas de tal sistema que começou a ganhar o ideal de muitas pessoas de forma justa e justificável. Tacão de Ferro é um livro para pessoas que são adeptas de qualquer sistema político e até para aquelas que são adeptas de nenhum. Um livro sobre um ideal é enriquecedor para qualquer ser humano e a abordagem de Jack London foi digna em forma de narrativa.

E aliás, que final…

bio CAIQUE