Resenha de IT – A Coisa, de Stephen King

Editora: Editora Objetiva Ltda.

Páginas: 1000

Sinopse: Na pacata cidade de Derry, no Maine, em torno de a cada 27 anos, coisas estranhas acontece, crianças somem, somente para serem encontradas dias depois com membros faltando; massacres e ataques de loucura. Sem nenhuma ação por parte adulta da cidade, cabe aos amigos Bill, Eddie, Richie, Mike, Beverly, Stan e Ben desvendarem os mistérios horrorosos que cercam a cidade.

Tim Curry  It 1990
Tim Curry como Pennywise na adptação de 1990

IT – A Coisa é um livro que nem todos irão ler, não digo isso pelo seu terror e nem pela quantidade de páginas (este último até pode ser um motivo). Mas digo pelo seu ritmo, que é demasiadamente lento e demora um certo bocado para alguma coisa realmente acontecer. Até lá, apenas coisas menores.

King tenta definitivamente te descrever Derry o máximo possível, o que pode ser bom, pois você fica até com um mapa de uma certa parte da cidade, entretanto também pode ser ruim porque em alguns momentos — alguns tensos até —, é um pouco desnecessária a descrição.

Além de descrever Derry, King lhe mostra a história da cidade, muito mais do que foi mostrado nas duas adaptações, e é aí que as coisas ficam interessantes, mostrando que o controle de Pennywise sobre a cidade e seus cidadãos é maior do que se pode imaginar. E mostrando que, o que acontece na cidade, não se resume apenas em Pennywise raptando e matando crianças.

A tensão das partes assustadoras, que se permeiam da metade para o final do livro são muito bem escritas e trabalhadas. Uma pena que são poucas, acredito que se tivesse lido na época em que o livro foi escrito, 1986, com certeza teria mais medo de certas partes. Porém ainda assim, a vontade assassina de Pennywise é forte e marcante.

Muito mais coisas acontecem aqui, muito mais crianças desaparecem e a falta de ação dos cidadãos na cidade pelo que se passa nela é bem explicada. O mesmo não acontece em outra parte, por exemplo, sempre achei forçado as crianças terem esquecido os acontecimentos de sua infância para relembrarem tudo e ser relatado na vida adulta, o livro não mudou minha opinião, afinal, enfrentar uma forma diferenciada de um palhaço demoníaco com seus amigos é algo difícil de se esquecer. Até relevo um pouco para como King quis trabalhar o livro, com tudo se passando de uma vez, com ótimas mudanças entre os tempos.

O que me faz falar agora sobre A Coisa, a primeira definição que o livro te dá e de que a Coisa é aquilo que você sente que está te observando no escuro enquanto você faz algo (quem nunca voltou correndo pro quarto depois de beber água a noite antes que alguma coisa lhe pegasse?). Mas depois ele avança mais ainda com esse sentido e, nos lembra de que a Coisa é uma coisa diferente para cada um de nós, fazendo isso de maneira magistral. Tudo começa a despencar depois que a origem da Coisa é mostrada, começa a ir contra essa noção de coisa sobrenatural e fantasmagórica que ele deixa em primeiro lugar.

IT – A Coisa, por fim acaba se tornando um bom livro, apesar de ter um final bem moderado.

bio daniel portella