Um gosto diferente vem à boca, misturado com as lágrimas inevitáveis que vem sem emoção aparente e a saudade que aperta o peito quando nos despedimos do nosso mestre, o Sr. Sherlock Holmes. Neste livro, que é dito por muitos como uma estória quase canônica, temos o final da vida do maior detetive das artes que luta contra os inevitáveis sinais de velhice em seus 93 anos de idade…


Editora: IntrínsecaSr. Holmes, de Mitch Cullin
Páginas: 240
Ano de publicação original: 2014

Sinopse:

Aposentado há décadas, Sherlock Holmes mora numa fazenda em Sussex, onde cria abelhas com a ajuda de Roger, o filho da empregada. Além do apiário, o velho detetive gosta de passar o tempo relembrando casos memoráveis, que ele registra diligentemente em um diário. Com isso, tenta juntar os fragmentos remotos de uma de suas aventuras mais marcantes, ocorrida há mais de cinquenta anos. Empenhado nessa empreitada, Holmes embarca em uma viagem rumo ao Japão do pós-guerra e acaba se deparando com um novo mistério: descobrir o destino do pai de seu anfitrião no país, Sr. Umezaki. Enquanto isso, na Inglaterra, Roger explora o escritório do ilustre detetive e lê avidamente seu diário, na tentativa de entender a mente e o coração de um homem tão único. Intercalando lembranças de relacionamentos importantes que Holmes teve ao longo da vida, seus casos de amor, as amizades e um inesperado sentimento paternal, o romance de Mitch Cullin explora o lado humano de um Sherlock Holmes colocado diante dos surpreendentes mistérios da vida e da morte, sobre os quais ele ainda não tem a menor pista. Reflexões que, na voz de Holmes, mostram o efeito indelével que o envelhecimento exerce sobre o modo como enxergamos o mundo.


Mitch Cullin nos apresenta nesta obra, neste livro que foi lançado no Brasil em 2015 e que ganhou em 2016 um excelente filme estrelado por nosso querido Gandalf e Magneto, Ian McKellen, o final da vida de Sherlock Holmes. Ele está com 93 anos de idade e está recluso em sua fazendo em Sussex, cuidando de suas abelhas e tentando lutar contra o seu problema de memória, inevitável efeito da velhice. Por conta disso, ele está em uma jornada para estudar os efeitos de geleia real para retardar estes efeitos e vai inclusive até o Japão para saber mais sobre cinzas espinhentas, outro ingrediente que dizem retardar a velhice.

O livro tem três narrativas. Uma que se passa no presente com ele em sua casa tranquila em Sussex, com a governanta Sra. Munro e o seu filho, Roger, que o admira muito e inclusive, o ajuda a tomar conta do apiário cheio de abelhas. Temos outra narrativa de alguns meses no passado, que conta a viagem de Holmes pelo Japão pós-guerra tentando saber mais sobre as cinzas espinhentas. E mais uma, que se passa vários anos no passado, com o detetive tentando terminar de escrever sobre um caso que o abalou de uma forma irracional.

A única ressalva sobre este livro, é de que o autor desmereça a credulidade de Sherlock Holmes, com isto modificando características originais. Este livro e a série da BBC fazem isso. Temos várias falas nas obras de Sir Arthur Conan Doyle que mostram que o detetive tinha todo o seu raciocínio logico, pragmático, factual e ainda sim, era temente a Deus. Estamos em tempos em que as pessoas não conseguem unir estas características, parecendo não terem conhecimento de pessoas como Galileu Galilei, Isaac Newton, Tolkien, C. S. Lewis, Francis Schaeffer e etc. Não levar isso em consideração é desvirtuar certos elementos do personagem. E junto disso, o livro traz uma adoração a natureza que preenche e envolve o livro do começo ao fim.

Por outro lado, o escritor levou em conta diversos pontos históricos da vida do personagem, dando belos argumentos para suas ações e omissões em tempos presentes. Dando maior foco em um lado que Conan Doyle não experimentava tão profundamente, apenas em alguns contos, que é em suas emoções. E nisso, a parte narrativa que se passa quando está em Sussex, brilha. Esta parte por muitas vezes pegava todo o livro e corria com ele debaixo do braço, chamando a responsabilidade e mostrando todas as camadas de profundidade do detetive.

Este é um livro introspectivo, não espere muita ação, porém, embarcará nas emoções do excêntrico detetive, que já te conquistou com sua juventude e inteligência e que agora, te conquistará com sua velhice e olhos tristes. Algumas conclusões talvez te incomodem, mas nada que estrague chegar até o final com os olhos marejados. Sr. Holmes foca na humanidade do detetive em seu final de vida, entretanto, ainda não é a obra mais canônica depois do genial Sir Arthur Conan Doyle.

bio CAIQUE