The Gifted- Marvel

Depois de muito tempo vivendo nas grandes telas do mundo todo, os filhos do átomo começam a respirar novos ares e buscam seu espaço em meio às séries televisivas. Após o grande sucesso de Legion (2017), uma aposta para a Fox em parceria com a Marvel, detentora dos direitos da mutandade fora do cinema (quadrinhos, bonecos, jogos, etc.), era inevitável que novos projetos saíssem da temida gaveta.

Com seu primeiro filme lançado em 2000, época em que nenhum dos grandes estúdios visavam se arriscar com o gênero, no qual as esperanças em filmes de heróis eram poucas, quase nulas. A tarefa de trazer os poderosos personagens á vida foi dada a Bryan Singer, produtor e diretor norte-americano que conseguiu transformar a equipe em um grande sucesso. Com uma temática mais séria, pé no chão e claro, uniformes de couro inteiramente preto, Singer ajudou a derrubar a barreira que banalizava os personagens de historias em quadrinhos.

Dezessete anos mais tarde, hoje com o grande sucesso da Marvel Studios no cinema, tudo aquilo que Singer construiu de certo modo se tornou antiquado, talvez pé no chão demais, fora todos os erros cronológicos que os X-Men passaram após sua saída. Tendo dirigido o primeiro e segundo filme da saga, não pôde retornar para o terceiro, X-Men: O Confronto Final, filme no qual toda a grandiosa ascensão dos mutantes começou a se perder em meio ao caos, onde seu selo pela primeira vez se viu em direção a gaveta.

Mas obviamente, a Fox não deixaria um de seus mais fortes produtos, padecer assim tão fácil e anunciaram X-Men: Primeira Classe, com a produção de Singer, um novo sucesso, seguido por Dias de um Futuro Esquecido e Apocalipse, ambos com sua volta a cadeira de diretor. O primeiro, aprovado pela crítica especializada e pelo público, graças á complexidade de sua historia. Já o segundo quase sofreu do mesmo que o Confronto Final, fazendo com que a equipe mutante continuasse no pior pesadelo dos fãs, os altos e baixos.

Atualmente, apostando nas mais variadas formas de adaptar os mutantes (e acertando), como Deadpool e Logan, focados no público mais adulto, o estúdio busca retomar um pouco do que os X-Men eram no início do século. Conhecidos por suas histórias com fortes críticas sociais sobre preconceito, família e liberdade, suas obras no cinema ainda engatinham nesses quesitos, seja pela falta de tempo ou pelo simples desejo de vender os personagens como simples heróis convencionais, coisa que deve ser mudada com The Gifted.

The Gifted - Fox séries
Família Struker e pró-mutantes

Como a mais nova produção neste vasto universo, que tem como referência o filme Dias de um Futuro Esquecido, no qual Bryan Singer dirigiu e também dirigiu e produziu o primeiro episódio da série.  The Gifted aborda um complicado dilema familiar, onde o patriarca da família Reed Strucker (Stephen Moyer), trabalha caçando e aniquilando mutantes em um período em que as leis para essas pessoas se encontram cada vez mais severas. A situação muda completamente para a família Strucker quando seus dois filhos, Andy (Percy Hynes White) e Lauren (Natalie Alyn Lind) são descobertos como portadores do gene X e todos se tornam fugitivos.

Iniciando em meio uma perseguição com ritmo frenético, a mutante Blink (Jamie Chung) ainda sem saber controlar seus poderes (criação de portais para teletransporte), é resgatada pelo grupo pró-mutante formado por Polaris (Emma Dumont), Eclipse (Sean Teale) e Pássaro Trovejante (Blair Redford). Com uma temática forte, consistente e sem a presença de grupos conhecidos como os X-Men e a Irmandade, é uma ótima escolha para a produção que busca explorar a faceta humanos versus mutantes, de um modo mais intimista.

De uma forma perigosa e extremamente tensa, os poderes do caçula Struker, vítima de bullying, se manifestam no baile anual, ocasionado por uma grande situação de stress, colocando todos ali em perigo e salvo por Lauren, que já tinha conhecimento dos seus poderes há três anos. Seguindo com uma das melhores cenas desse primeiro episódio, na qual a personagem “sai do armário” para sua mãe, Caitlin Strucker (Amy Acker), lembrando muito o diálogo no segundo filme dos X-Men, onde o personagem Bob Drake também conta para sua mãe sobre seus poderes e ambas perguntam para seus filhos se nunca tentaram “não ser um mutante”, cenas que remetem diretamente ao homossexualismo.

Uma grande preocupação do público era como os efeitos especais funcionariam, já que a produção utiliza alguns personagens com poderes chamativos, como no caso da Blink e seus portais de coloração roxa. Vindo de uma adaptação cinematográfica (Dias de um Futuro Esquecido) e sendo um dos pontos altos por sua caracterização e efeitos, primeiramente interpretada por Fanbingbing, nessa segunda versão não é muito diferente, já que o baixo orçamento não afeta tanto a personagem (podem confiar), junto de Lorna, Eclipse e os “sentinelas”, que aqui você ainda não verá os robôs gigantes e sim uma versão menor e muito mais rápida.

Com um roteiro simples e direito, The Gifted pode ser considerada um deleite para os fãs mais assíduos da equipe, que sonhavam e ainda sonham em ver seus filmes mais intimistas, deixando um pouco de lado vilões grandes e ameaças globais. Com uma história gravitando em torno de família, aceitação e os dilemas em que as pessoas “diferentes” passam, em seu primeiro episódio, a série já pode ser considerada mais um ponto para a Fox.

Confira o Trailer: