Tudo parecia bem em Friars Oak’ até que dois jovens resolveram que era hora de querer mais do que uma pacata vida no interior da Inglaterra, e acabam por entrando em um mistério envolvendo um assassinato de anos atrás. Tudo isso em meio a um mundo de excentricidades e pugilismos, assuntos que Conan Doyle trata com classe.


Editora: Nova FronteiraSoco na Cara, de sir Arthur Conan Doyle
Páginas: 257
Ano de publicação original: 1896

Sinopse:

Quando Rodney Stone, filho de um antigo oficial da Marinha Britânica, é apresentado pelo Tio (Sir Charles) às emoções das grandes apostas no mundo do pugilismo e do boxe inglês, são os reflexos rápidos e sua sede de conhecer o mundo que o levam desde os subúrbios de Londres até os excêntricos salões da Alta Sociedade Inglesa do *Período da Regência* em busca da próxima luta! O que ele não esperava, porém, é que esse “brutal passatempo da classe trabalhadora” pudesse colocá-lo no meio da investigação de um misterioso assassinato que deixará marcas em seus entes queridos. Com movimentos tão ágeis quanto os socos de um boxeador, sir Arthur Conan Doyle tece um mundo ao mesmo tempo aristocrático e proletário, um romance histórico com toques de mistério gótico sem igual entre suas obras. Com a mesma prosa magnética e instigante que eternizou Sherlock Holmes, Doyle demonstra aqui seu profundo conhecimento da sociedade inglesa georgiana (pré-vitoriana) e sua paixão pela arte do pugilismo, repetidas vezes explorada nos livros e contos do famoso detetive da Baker Street.


Apesar de todo apelo ao romance policial que ficou característico ao nome de Sir Arthur Conan Doyle com suas maiores obras envolvendo o dos carismáticos detetives Sherlock Holmes e Dr. John Watson, este grande conto tem a dizer sobre um período bem característico da Inglaterra. Onde a nação está começando a parar de ser uma nação guerreira e forte, e passa a ser uma nação conformada em bens materiais e suas futilidades. Porém, dois assuntos dominam todo o livro e mostram que nem todos na Inglaterra são assim. O boxe e a guerra naval.

O boxe é tratado como uma válvula de escape para a população masculina que é fanática por agitação e ação, porém, nunca teria isso de forma legal vivendo sua vida normalmente. Por isso, surge um pugilismo que era tratado como algo profissional, mesmo surgindo de forma amadora, sendo bem organizado, movendo muitas apostas e tendo um tratamento cavalheiresco de uns com os outros pugilistas. Algo bonito de se ver, e muito bem explorado pela linda narrativa de Conan Doyle que como sempre, tem uma frase profunda e bonita sobre qualquer assunto. Com analogias simples, porém sofisticadas.

Na época em que se passa a narrativa de Rodney Stone e companhia, vemos que há uma tensão enorme em que a Inglaterra está tentando se segurar contra os avanços intermináveis de Napoleão Bonaparte e a maior parte das batalhas são travadas em pleno mar europeu e toda a inquietação dos soldados e capitães que querem a todo custo defender a sua nação, é explorada de forma às vezes tediosa e em outras, com certa admiração. Entretanto, em meio a dois universos diferentes mas de grandes proporções, há a futilidade da classe rica.

Os nobres endinheirados têm certo vigor e travam batalhas de egos interessantes de se acompanhar, porém, ainda são seres completamente fúteis que se preocupam com coisas completamente desinteressantes e superficiais. Isso nos mostra uma certa decadência em cabeças pensantes inglesas, que retratam muito bem a mente europeia antes das duas grandes guerras que abateram todo o globo. A indignação de Conan Doyle é compreensível e nos faz pensar nos jovens e adultos que levam uma vida parecida. O que me fez torcer para que eu não caia nesta armadilha bem feita por séculos de voluntária ignorância e mesmice.

Soco na Cara é uma obra de arte, um belo quadro que deve ser admirado e é para ser aproximado em nossos corações e mentes para total reflexão sobre a sofisticada porém simples dizeres narrativos do experiente e pensativo Sir Arthur Conan Doyle que nos traria também o maior detetive das artes: Sherlock Holmes. Está servida na mesa, mais um prato tremendamente delicioso de intelectualidade e simplicidade. Servido?

bio CAIQUE