É triste mas não tanto, pois chegamos ao final da estrada de estórias de Sherlock Holmes pelas mãos de Arthur Conan Doyle. O famoso detetive com seu companheiro Doutor John H. Watson tem seus últimos casos mais importantes e sombrios relatados e o seu último adeus deixa o povo inglês esperançoso.

Os Últimos Casos de Sherlock Holmes (1917), de sir Arthur Conan Doyle

O caso da Vila Glicínia

Em uma certa vila, um rapaz precisa de um álibi para fazer algo que não tem volta. Porém, acaba sendo assassinado e cabe a Sherlock Holmes e seu fiel escudeiro Dr. Watson desvendarem o caso que evolui agilmente e que precisa de decisões rápidas e certeiras. Um excelente suspense policial que te prende do começo ao final.

O caso da caixa de papelão

Uma certa encomenda chegou ao lugar errado. Seu conteúdo: um par de orelhas. Cabe a Holmes descobrir seus respectivos donos e o autor daquela ameaça (ou não). Tudo se resolve facilmente, mas a aula que Sherlock dá de como entrevistar as pessoas envolvidas, valem a leitura. Conan Doyle mostra através do personagem que alguns casos podem ser resolvidos com depoimentos e um pouco de ação.

O caso do círculo vermelho

Um casal estrangeiro está em perigo, e todos os ingredientes de um caso de Sherlock Holmes estão presentes aqui. Um romance impossível, sociedade secreta, assassinos e um belo toque de suspense. Tudo o que o detetive teve de fazer foi desmascarar todo o ardiloso acontecimento para os envolvidos, com um pouco de dedução e um pouco de depoimentos dos envolvidos.

Os Últimos Casos de Sherlock Holmes (1917), de sir Arthur Conan Doyle

O caso dos planos do Bruce-Partington

Este caso já foi adaptado de certa forma para a série de tv da BBC (excelente série), onde Mycroft, irmão de Sherlock, necessita de ajuda “de campo” para recuperar planos essenciais para a defesa do país. Estes planos foram parar nos bolsos do casaco de um rapaz que foi encontrado morto nas linhas do trem em Londres. Mas três páginas essenciais estão desaparecidas e eles precisam encontrar o(a) assassino(a) e os planos em uma corrida contra o tempo em que cada segundo valem milhões (de vidas e libras).

O caso do detetive agonizante

O detetive agonizante do título é ninguém menos que Sherlock Holmes. O excêntrico e brilhante detetive está entre a vida e a morte, com uma doença letal que é acima de tudo, contagiosa. Watson se vê impotente e atende o pedido do amigo ao chamar um especialista. Porém, este especialista tem muito mais a falar do que apenas o seu diagnóstico.

O caso do desaparecimento de lady Frances Carfax

Uma pessoa está desaparecida. Está viva ou morta? Onde ela está neste momento? São todas perguntas que o maior detetive da literatura precisa responder para salvar uma mulher independente que pode ter acabado em maus lençóis na Europa. Conan Doyle constrói estereótipos e depois os destrói, joga um fio de esperança e depois a destrói, e assim temos um excelente caso de suspense policial.

O caso do pé do diabo

Conan Doyle encontra Lovecraft neste caso impressionante. Sherlock Holmes precisa de descanso, então vai junto com seu amigo se isolar no campo mas acabam por se envolverem num caso extraordinário. Insanidade e morte caminham juntas neste caso, e tudo vai evoluindo para desafiar a lógica metódica e racional de Holmes. Dentre os contos, este talvez seja o melhor.

Seu último caso: Um epílogo de Sherlock Holmes

O último adeus do detetive vem muitos anos depois de seu último caso documentado. O país está mergulhando aos poucos na Segunda Guerra Mundial e os sessentões Sherlock Holmes e Dr. Watson são chamados para acabar com uma rede de espionagem alemã. A narrativa muda aqui, talvez transformando o caso ainda mais misterioso do que já estava. Jogando alguns verdes quanto ao futuro sabático do excêntrico detetive. Dando esperança ao povo inglês, pois podem ficar mais calmos, Sherlock Holmes está os ajudando para trazer paz ao Reino Unido.


Apesar de ainda termos as mesuras de despedidas de sir Arthur Conan Doyle para Sherlock Holmes em Histórias de Sherlock Holmes (1927), que trarei análise em breve no site, esta última coletânea de contos é o final de profissão de Holmes. É algo bonito mas mesmo assim, triste. Pois os casos estavam ficando cada vez melhor e muito mais poderia ser explorado. Conan Doyle só merece aplausos, e não é a toa que fez de Sherlock Holmes, o maior e melhor detetive das artes.

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