corleone poderoso chefão

O primeiro dia de trabalho é sempre muito estranho. Você coloca uma roupa que, normalmente, não usaria para trabalhar, mas é preciso causar uma boa impressão. Passa o dia inteiro quase mudo por não participar da maioria das conversas que contam – em sua maioria, piadas internas sobre o novo idiota da firma.

Tem sede e vontade de tomar café durante o dia todo, pois os veteranos “super legais” não te chamam ainda para ficar com eles. No almoço é o último a levantar da cadeira, apesar de já estar de saco cheio de fazer quase nada porque ninguém teve tempo de te ensinar alguma coisa.

Então, você corre para o banheiro porque estava com vergonha de se levantar da cadeira durante o expediente – por conta da sua bexiga que já estava explodindo. Em seguida, come algo rápido na rua porque não quer se atrasar e corre para o escritório. Na verdade, come tão rápido que aquele “dogão” com purê e batata palha, cheio de condimentos, não bate bem no estômago.

Agora, você se encontra em uma situação muito delicada: cada “cochada” na sua barriga é uma vida que perde, olhando para os outros com cara de paisagem, tentando disfarçar o seu desconforto. Daí, começam os gases. Cada um é uma prova de resistência. Você vai soltando devagarzinho, torcendo para ser silencioso, mas quando sai algum barulho diferente, uma leve tossida disfarça bem. Até que chega ao ponto em que você perde a dignidade e precisa fazer aquela pergunta constrangedora para a tia do café: “Com licença, senhora, onde fica o banheiro?”.

Bem, para esse momento, eu tenho uma tese que já fora comprovada por milhares de pessoas: o ser humano possui, no seu sphincter, um sensor de distância – tipo aquele sistema parecido com o sensor de ré que encontramos nos carros hoje em dia. A pessoa, por mais que esteja apertada, consegue ter total controle quanto ao sphincter. Porém, com a distância diminuindo entre você e um vaso sanitário, por exemplo, o sensor fica cada vez mais sensível até que, a aproximadamente 10 centímetros entre a sua bunda e a tampa da privada, o disparo é acionado e você já não tem mais controle sobre a sua vida.

Nessa hora, então, começa outro dilema: como vou sair desse banheiro? As pessoas vão estar me olhando e fazendo fofocas quanto ao novo funcionário “borra botas”. Você se fortalece e acha que isso é coisa da sua cabeça, afinal, ninguém te viu entrando no banheiro. Logo, resolve sair, mas percebe que não soube disfarçar tanto assim, pois todos estão te olhando com cara de espanto.

Você corre para sua baia, senta na cadeira e finge que não aconteceu nada. Seu plano parece bom, ninguém mais fala nada e todos estão trabalhando… Até que o bendito chefe resolve ir ao banheiro, mas na porta já grita: “Pelo amor de Deus, o que vocês mataram aqui dentro?”.

Enfim, este seria um dia comum de uma pessoa normal, dando início à sua carreira trivial de uma forma marcante.

bio PUERTO