O Homem Duplicado, de José Saramago

Resenha de O Homem Duplicado, de José Saramago

Páginas: 166

Editora: Companhia de Bolso

Sinopse: Tertuliano Máximo Afonso é um simples professor de História do secundário. Quando um colega de trabalho lhe recomenda um filme, Tertuliano não deixa de perceber que um dos atores secundários possui exatamente a mesma aparência que a sua. O que o leva a querer comprovar se essa pessoa existe e a se encontrar com ela.

Jake Gyllenhaal na adaptação cinematográfica

Vou falar o mínimo possível sobre o filme, mas saibam que ele existe e é muito bom também.

Saramago brinca até o limite com todo o conceito de identidade que pode ser trabalhado, levando em consideração todo o pensamento de que não se pode existir duas coisas idênticas em um só lugar e que uma delas deve ser eliminada. Em diversos momentos, o conceito mostrado ali é de que um se torna o outro devido à alguma mudança na aparência – que chega até o seu extremo quando precisa-se saber quem é a cópia ao discutirem quem nasceu primeiro.

O livro se extende ao apresentar toda a parte de Tertuliano na estória, mostrando sempre algum tipo de reflexão e em como se dá o seu relacionamento com sua mãe e com sua namorada. A dinâmica muda – e fica bem melhor – quando é feito o contato com seu idêntico. Passamos a ver os dois lados – tanto de Tertuliano quanto de sua cópia -, suas preocupações e reflexões a respeito da situação, assim como o que seus próximos pensam.

A estrutura do livro é bem comum, contendo uma tremenda diferença nos diálogos. Esse é o primeiro livro de Saramago que leio. Não sei dizer se todos são assim, mas todas as falas são feitas em uma única linha, como em prosa, porém, não chega a ser uma fala indireta. Perder-se nos diálogos sobre quem disse o que é extremamente fácil se você ler rápido. Por diversas vezes tive que ler as conversas mais de uma vez para ter a estrutura correta.

A ideia da narrativa é boa com um Q muito mais reflexivo do que o filme, mas, como eu disse, o livro se torna maçante até que a personagem do outro seja bem incluída.

E antes que eu me esqueça: Recomendo fortemente que você leia o livro antes de assistir ao filme.

bio daniel portella