Baby driver

 

Edgar Wright, uma das grandes promessas de diretores dos anos 90, apareceu em cena juntamente com seus contemporâneos Paul Thomas Anderson, Wes Anderson, Quentin Tarantino, Christopher Nolan, entre outros, ele volta aos cinemas com seu estilo único e direção ágil. Diretor também do fantástico Scott Pilgrim Contra o Mundo (2010) e da trilogia de Sangue e Sorvete, vem agora com Baby Driver (ou Em Ritmo de Fuga, título em português), claramente um dos melhores filmes do ano e uma grata surpresa entre os Blockbusters.

Um jovem e talentoso motorista de fuga chamado Baby (Ansel Elgort), confia na batida pessoal de sua trilha sonora preferida para ser o melhor no mundo do crime. Quando ele conhece a garota de seus sonhos (Lily James), Baby vê uma chance de abandonar sua vida criminosa e fazer uma fuga limpa. Mas depois de ser coagido a trabalhar para um criminoso misterioso (Kevin Spacey), ele deve enfrentar a música quando um assalto mal-intencionado ameaça sua vida, amor e chance de liberdade.

Apesar de uma história sem muitas novidades, a direção de Wright é um show à parte. O diretor sabe como ninguém mostrar cenas de ação que empolgam. Ele abusa de uma edição rápida, sem nunca parecer confuso, além de um mix de planos longos e curtos nas horas de tensão. É corte pra um lado, corte pro outro que, nas mãos de um diretor comum, ficaria enjoativo, mas Wright faz justamente para que o telespectador não perca o pique, além de engrandecer muito a qualidade rítmica que o torna extremamente divertido. Sem falar da montagem que consegue posicionar muito bem as cenas para que a gente não se perca.

Em termos de atuação, Ansel Elgort (Baby) cumpre bem o papel de protagonista. Ele oferece bastante camadas para que você entenda as motivações do personagem. E Kevin Spacey também consegue fazer um vilão na sua medida, nada que se compare com seus respectivos vilões em Se7en ou House of Cards, mas ele consegue entregar o que a história precisa. Só alguns personagens mais secundários – de Jamie Foxx e Lily James – que deixam um pouco a desejar. Eu, particularmente falando, fiquei curioso para saber mais sobre eles, pois não tiveram um desenvolvimento muito mais do que o necessário.

Agora, em termos de mixagem e edição de som, ambos são um ponto fortíssimo da obra. Você tem uma troca constante da diegese onde, a todo instante, a música que os personagens escutam se transforma em trilha sonora – o que funciona perfeitamente como uma ferramenta de envolvimento emocional com o protagonista, e também para dar uma cara mais “cool” à estética. Sem falar na inacreditável sincronia com as cenas que, em todos os momentos, a mise-en-scène acompanha a batida e o ritmo das músicas com uma sincronia surreal de tão bem feita (pessoas com TOC, certamente, vão dar um sorriso de orelha à orelha).

Baby Driver ou Em Ritmo de Fuga, apesar de não ter uma história original é, sem dúvidas, um filme empolgante, divertido, milimetricamente bem feito e esteticamente vibrante, com uma pegada mais “pé no chão” do diretor, mas sem perder aquele toque que só ele sabe dar às suas obras.

 

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