Crítica - Capitão Fantástico (2017)

Crítica escrita por Glecem Gaia


Capitão Fantástico traz temas humanos, sociais e espirituais

Com várias indicações em diversos festivais e premiações conceituadas, o segundo longa com o roteiro e direção de Matt Ross, Capitão Fantástico é de balançar as emoções.

O costume de verificar notas e críticas sobre filmes antes de assisti-los me escapou totalmente quando assisti Capitão Fantástico. O filme, que estreou em 22 de dezembro no Brasil, entrou na minha lista de “quero ver” por estar entre os nomeados do Globo de Ouro – na categoria “Melhor Ator em Drama”. Mas o que eu não esperava era que o longa fosse entrar para minha lista de favoritos instantemente.

Capitão Fantástico conta a história de Ben (Viggo Mortensen) e seus seis filhos que moram em uma floresta do Noroeste Pacífico nos Estados Unidos, isolados de qualquer interação com o mundo externo. O patriarca da família tem um estilo único de criar os filhos para que sejam adultos inteligentes, responsáveis e independentes, e isso se torna um problema quando eles são forçados a voltar para a sociedade.

Durante essa jornada, Ben e seus filhos Bo, Kielyr, Vespyr, Rellian, Zaja e Nai encaram os seus dilemas e filosofias. Apesar de ter toda a pinta de ser um filme básico de drama, Capitão Fantástico está há milhas de ser apenas isso.

Os personagens de Ross transitam nas mais diversas questões: religião, família, filosofia, espiritualidade, amor, literatura, a cultura do consumismo, alienação, liberdade, sinceridade, etc. Alguns pontos são tocados de forma delicada, de acordo com o desenvolvimento da trama e dos personagens, outros são explicitados no estilo de vida da família.

Crítica - Capitão Fantástico (2017)
Viggo Mortensen

Viggo Mortensen, mais conhecido pelo seu papel em O Senhor dos Anéis, elogiou Ross quanto a criação dos personagens do filme. Para a revista “Variety” ele disse: “Os personagens são tão bem escritos. Eles são humanos e complexos, o que deveria acontecer em qualquer outro script, mas não é fácil de fazer.”

De nenhuma forma, Capitão Fantástico vai ser um filme para assistir e esquecer. Os debates internos e externos que rondam a trama, causam uma espécie de epifania sobre a nossa sociedade e, para os mais sensíveis, os próprios sentimentos. O longa também apresenta muitas vertentes religiosas, entre elas o agnosticismo, maoísmo e budismo.

O filme de Ross tem um charme em sua estética, em especial no figurino excêntrico da família, com trajes irreverentes e peculiares. O elenco ganha destaque tendo Mortensen como protagonista e figuras conhecidas como Steve Zahn, Kathryn Hahn e Frank Langella.

Capitão Fantástico é um filme humano, sensível e emocional, cheio de indagações e opiniões que, provavelmente, vai deixá-lo com sede por mais.

PS: Por seu papel neste filme, Viggo Mortensen foi indicado ao Oscar 2017 na categoria de Melhor Ator.